Metáforas da Organização - Parte 1
James Lawley
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"Todas as teorias de organização e de administração são baseadas nas imagens ou metáforas implícitas que nos induzem a ver, entender e imaginar situações de maneira parcial.
Metáforas criam insight. Mas elas também distorcem. Elas têm pontos fortes. Mas também têm limitações. Ao criar condições de enxergar, elas criam maneiras para não enxergar.
Por isso pode não ter nenhuma teoria ou metáfora que forneça o ponto de vista de todas as finalidades. Nesse ponto pode não ter nenhuma "teoria correta" para estruturar tudo que nós fazemos".
Esse é um artigo em duas partes: Parte 1 utiliza as idéias de Gareth Morgan, um pioneiro no uso de metáforas para ler, analisar e facilitar a mudança nas organizações. Parte 2 mostra como uma nova abordagem, a Modelagem Simbólica, usa as metáforas geradas pelos clientes para ajudar os indivíduos a entenderem e mudarem as suas organizações e a si mesmos. Modelagem Simbólica pode ser usada como uma alternativa ou como suplemento à metodologia de Gareth Morgan. Se você é consultor, facilitador ou gerente interessado em organizações e como elas funcionam, então você precisa ler os livros de Gareth, Images of Organization (Imagens da Organização) e Imaginization (em espanhol Imagin-i-zacion). Imagens da Organização A tese central desse livro é que todas as teorias de organização e administração são baseadas em metáforas implícitas, e que as metáforas fazem um papel paradoxal: elas são vitais para o conhecimento e o realce de certos aspectos da organização, enquanto ao mesmo tempo restringem o conhecimento pela prática ou pela ignorância de outras. A postura teórica de Morgan está claramente alinhada com aquela do lingüista George Lakoff e do filósofo Mark Johnson que muito fizeram para elevar a consciência da natureza fundamental da metáfora. Eles dizem: "Em todos os aspectos da vida… nós definimos a nossa realidade em termos de metáforas e depois continuamos agindo com base na metáfora. Nós tiramos conclusões, estabelecemos metas, fazemos compromissos e executamos planos, tudo na base de como estruturamos, em parte, a nossa experiência, consciente e inconscientemente, pelo sentido da metáfora". Tome por exemplo a metáfora muito comum de que uma organização é como uma máquina. Nós pensamos em termos de "inputs e outputs", maximizar "produção" e tornar "eficiente a força motriz". Quando as coisas estão indo bem, dizemos que a organização está "funcionando como um relógio", um "motor bem lubrificado" ou uma "linha de montagem". Quando não está indo bem, então a comunicação foi "quebrada" e as "coisas precisam ser consertadas" porque existiu a "destruição de um plano de operações". Em resposta, nós queremos alcançar os "aspectos práticos" da operação e intervir no ponto de máxima "alavancagem". Nós conduzimos estudos de "tempo e movimento", consideramos as pessoas como "peças de uma engrenagem" e tentamos quantificar e comparar tudo. Nós estabelecemos o departamento de "recursos" humanos, alocamos "mão de obra" e recrutamos para "ocupar uma vaga". E tudo porque a organização adora "reengenharia". Gareth Morgan diz: "Um dos problemas mais básicos da administração moderna é que a maneira mecânica de pensar está tão enraizada na nossa concepção do dia a dia das organizações que muitas vezes é difícil se organizarem de outra maneira qualquer". Para esclarecer o nosso pensamento, ele procura fazer três coisas: (1) Mostrar que muitas das idéias convencionais sobre organização e administração são baseadas num pequeno número de imagens e metáforas tomadas como certas. (2) Explorar algumas metáforas alternativas para criar novas maneiras de pensar sobre organização. (3) Mostrar como usar as metáforas para analisar e diagnosticar problemas e melhorar a administração e design das organizações. Morgan ilustra suas idéias explorando oito metáforas arquetípicas da organização: máquinas, organismos, inteligências, culturas, sistemas políticos, prisões físicas, fluxo e transformação, instrumentos de dominação (veja quadro).
Ao descrever como cada metáfora tem sido usada por diferentes especialistas organizacionais, Imagens da Organização contém um ótimo resumo de quase todas teorias de administração que nunca foram interpretadas. Se você quer uma visão geral do Taylorismo e de estudos de tempo e movimento; análises das necessidades organizacionais, teoria dos sistemas abertos e contingência; ecologia organizacional; cibernética e pensamento holográfico; cultura corporativa; organizações como um acúmulo de interesses, conflitos e poder; teoria psico-analítica; sistemas auto-organizantes; dialética marxista; ressignificação, tudo está no livro. O último capítulo apresenta um exemplo da análise organizacional de Gareth Morgan aplicado numa pequena empresa com 150 funcionários. Ele divide o processo em dois estágios. Primeiro ele usa cada uma das oito metáforas descritas acima como "moldura" através da qual ele visualiza a organização e produz múltiplas "leituras do diagnóstico". Depois ele se dedica a uma "avaliação crítica" de cada leitura para produzir um "enredo" em que coloca tudo junto de maneira significativa e sugere um curso de ação. Imaginização Enquanto Imagens da Organização é altamente teórico, Imaginization é devotado ao uso prático da metáfora para a análise da organização e da administração criativa. Imaginization, com seus desenhos e letras grandes, tem um estilo completamente diferente. Do começo ao fim, o princípio é: "É impossível desenvolver novos estilos de organização e de administração enquanto continuar pensando nos velhos modos". Isso mostra como as metáforas podem ser aplicadas na mudança organizacional, na resolução de idéias conflitantes, identificação da parte mais importante do problema, correção e reforma de equipes, criatividade e repensar produtos e serviços. Apesar de Morgan fazer um esforço para evitar a afirmação da supremacia de qualquer metáfora dada ou da perspectiva teórica, está claro que ele prefere uma abordagem relativa, auto-organizante para a administração. Para gerenciar múltiplas equipes e projetos descentralizados, por exemplo, ele oferece a metáfora da planta aranha. (no Brasil, essa planta é conhecida como clorofito. Veja nota no final do artigo.) Você pode usar a metáfora da planta aranha (ou qualquer outra metáfora que diga respeito ao assunto) no seguinte exercício:
Por exemplo, digamos que a leitura da sua atual empresa (etapa 3) é: "Ao contrário da real planta aranha, a única coisa que cresce nessa organização é o que está no vaso. A planta central está sendo alimentada pelas ramificações. Estão esgotando a vida dela". Você pode constatar que (etapa 4): "Se isso continuar, as ramificações irão morrer, e a planta central irá sofrer. De fato, ela já começou a definhar". Agora a metáfora poderá ser usada para criar um novo desenho (etapa 5): "Se os talos das ramificações representam o fluxo de recursos e valores, eles precisam ser fortes e saudáveis para que estes recursos possam fluir nos dois sentidos. Isto iria encorajar mais ramificações ao invés de sufocar as novas iniciativas". Você pode concluir (etapa 6): "Nós ficamos tão focados na concorrência entre o vaso e as ramificações, que nunca pensamos em desenvolver os talos. Poderíamos até mesmo usá-los para integrar toda a organização". Conclusão Imagens da Organização foi escrita inteiramente do ponto de vista do consultor. Em Imaginization, entretanto, Morgan reconhece que as pessoas dentro da organização podem descrever suas próprias metáforas e criar novas. Ele conclui: "O desafio que o gerente moderno enfrenta é se tornar talentoso no uso de metáforas: para descobrir maneiras apropriadas de ver, entender e adaptar as situações com as quais tem de lidar". Isso não é uma ferramenta "bonita para se ter", mas uma habilidade indispensável. Quer você perceba ou não, você e todos a sua volta, estão usando metáforas o tempo todo, e estão tomando decisões baseados nestas metáforas. Na parte 2 desse artigo, eu introduzo a Modelagem Simbólica – uma abordagem baseada inteiramente em facilitar os clientes gerarem suas próprias metáforas e fazer uso delas para efetuar mudança neles mesmos e nas organizações que eles fazem parte. Referências
Nota da tradução: Clorofitos são encontrados normalmente em vasos pendentes. Existe a planta central no vaso, enraizada na terra. Do vaso, a planta irradia ramificações com cerca de 30 centímetros, os chamados tentáculos. Na ponta desses tentáculos estão grupos de folhas que irão enraizar criando as novas plantas. James Lawley foi gerente sênior na indústria de telecomunicações antes de co-fundar a The Developing Company. Ele agora se especializou em facilitar gerentes e suas equipes a desenvolverem suas capacidades de pensar simbólica e sistemicamente, e a aprenderem a se modelar. Escreveu juntamente com Penny Tompkins o livro Metaphors in Mind: Transformation through Symbolic Modelling. O artigo "Metaphors of Organization - Part 1" encontra-se no site www.cleanlanguage.co.uk |